Conjectura de Beal

Fonte: testwiki
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

A conjectura de Beal é a seguinte conjectura em teoria dos números:

Se
e A, B, C, x, y, e z são números inteiros positivos, com x, y, z > 2, então A, B, e C possuem um fator primo em comum.

Equivalentemente,

Não existem soluções para a equação acima em que A, B, C, x, y, z sejam números inteiros positivos, A, B, e C sejam dois a dois primos entre si e x, y, z sejam todos maiores do que 2.

A conjectura foi formulada em 1993 por Andrew Beal, um banqueiro e matemático amador, enquanto investigava generalizações do último teorema de Fermat.[1][2] Desde 1997, Beal oferece um prêmio em dinheiro por um contraexemplo ou uma demonstração que seja publicada em uma revista revisada por pares. O valor do prêmio aumentou várias vezes e é atualmente de US $1.000.000.

Em alguns locais, esta conjectura tem sido ocasionalmente referida como uma generalização da equação de Fermat,[3] a conjectura de Mauldin,[4] e a conjectura de Tijdeman-Zagier.[5][6]

Exemplos relacionados

Para ilustrar, as bases da solução têm o 3 como um fator comum, a tem bases com o fator comum 7, e tem bases com um fator comum 2. De fato, a equação tem um número infinito de soluções, em que as bases compartilham um fator comum, incluindo generalizações dos três exemplos acima, respectivamente

e
Além disso, para cada solução (com ou sem bases primas entre si), há um número infinito de soluções com o mesmo conjunto de expoentes e um conjunto crescente de bases não primas entre si. Isto é, para a solução
tem-se também
em que
Todas as da conjectura de Beal envolverão necessariamente três termos que são números 3-poderosos, isto é, números, onde cujo expoente de cada fator primo é, no mínimo, três. Sabe-se que há um número infinito de tais somas envolvendo números primos entre si 3-poderosos;[7] no entanto, tais somas são raras. O menor de dois exemplos são:
O que distingue a conjectura de Beal é que ela requer que cada um dos três termos sejam expressos como uma única potência.

Relação com outras conjecturas

O último teorema de Fermat estabeleceu que não possui solução para n > 2 para números inteiros positivos A, B, e C. Se existisse alguma solução da equação do último teorema de Fermat, então ao dividir cada parcela pelos fatores comuns, seria obtida uma solução com A, B e C primos entre si. Assim, o último teorema de Fermat pode ser visto como um caso especial da conjectura de Beal, restrita ao caso x = y = z.

Segundo a conjectura de Fermat–Catalan, a equação só possui uma quantidade finita de soluções em que A, B, e C sejam inteiros positivos sem fatores primos em comum e x, y, e z sejam inteiros positivos satisfazendo A conjectura de Beal pode ser reformulada como "Todas as soluções da conjectura de Fermat–Catalan terão 2 como um dos expoentes."

Se a conjetura abc se mostrar verdadeira, ela implicará que há no máximo uma quantidade finita de contraexemplos para a conjectura de Beal.

Resultados parciais

Nos casos abaixo em que 2 é um expoente, os múltiplos de 2 também estão provados, uma vez que uma potência pode ser elevada ao quadrado. Analogamente, quando n é um expoente, os múltiplos de n também estão comprovados.

  • O caso em que mdc(x, y, z) > 2 é uma consequência do último teorema de Fermat.
  • Pierre de Fermat demonstrou nos anos 1600s que o caso em que (x, y, z) = (2, 4, 4), bem como todas as suas permutações, não possui soluções. (Ver uma demonstração aqui para o caso em que x = 2 ou y = 2.)
  • Uma classe de soluções em potencial para a equação, a saber, aquelas em que A, B, C também formam um terno pitagórico, foi considerada por L. Jesmanowicz na década de 1950. J. Jozefiak provou que há uma infinidade de ternos pitagóricos primitivos que não podem satisfazer a equação de Beal. Outros resultados são devidos a Chao Ko.[8]
  • O caso x = y = z é o último teorema de Fermat, demonstrado por Andrew Wiles em 1994.[9]
  • Os casos (x,y,z) = (2,n,n) e (3,n,n) foram provados por Darmon e Merel em 1995.
  • O caso (x, y, z) = (n, 4, 4) e todas as suas permutações foi demonstrado para n ≥ 2.[10]
  • A impossibilidade do caso em que A = 1 ou B = 1 é uma consequência da conjectura de Catalan, demonstrada em 2002 por Preda Mihăilescu. (note que C não pode ser 1, ou então A ou B precisariam ser 0, o que não é permitido.)
  • Para o caso (x, y, z) = (2, 3, 7), e todas as suas permutações, foi demonstrado que só existem cinco soluções, nenhuma delas envolvendo uma potência par maior do que 2, por Bjorn Poonen, Edward F. Schaefer, e Michael Stoll em 2005.[11]
  • Sabe-se que o caso (x, y, z) = (2, 3, 8) e todas as suas permutações têm apenas três soluções, nenhuma delas envolvendo uma potência par maior do que 2.
  • Sabe-se que o caso (x, y, z) = (2, 3, 9) e todas as suas permutações têm apenas duas soluções, nenhuma delas envolvendo uma potência par maior do que 2.[12]
  • O caso (x, y, z) = (2, 3, 10) e todas as suas permutações foi demonstrado por David Brown em 2009.[13]
  • O caso (x, y, z) = (2, 4, n) e todas as suas permutações foi demonstrado para n ≥ 4 por Michael Bennet, Jordan Ellenberg, e Nathan Ng em 2009.[14]
  • O caso (x, y, z) = (2, 3, 15) e todas as suas permutações foi demonstrado por Samir Siksek e Michael Stoll em 2013.[15]
  • O caso (x, y, z) = (3, 3, n) e todas as suas permutações foi demonstrado para 3 ≤ n ≤ 10000 exceto n = 7, 11, e 13.
  • Os casos (5, 5, 7), (5, 5, 19), e (7, 7, 5) e todas as suas permutações foram por Sander R. Dahmen e Samir Siksek em 2013.[16]
  • O teorema de Darmon–Granville utiliza o teorema de Faltings para mostrar que para qualquer escolha específica de expoentes (x, y, z), há no máximo uma quantidade finita de soluções.[17]Predefinição:Rp
  • Peter Norvig, diretor de pesquisa do Google, relatou ter conduzido uma série de buscas numéricas por contraexemplos para a conjectura de Beal. Entre seus resultados, ele excluiu todas as possíveis soluções tendo tanto x, y, z ≤ 7 quanto A, B, C ≤ 250,000, bem como possíveis soluções tendo x, y, z ≤ 100 e A, B, C ≤ 10,000.[18]

Prêmio

Por uma demonstração ou contraexemplo publicada em um jornal revisado por pares, o banqueiro Andrew Beal ofereceu, inicialmente, um prêmio de US $5.000 em 1997, aumentando-o para $50.000 ao longo de dez anos,[19] mas, desde então, aumentou o valor para US $1.000.000.[20]

A American Mathematical Society (AMS) detém o prêmio de US $1 milhão em uma relação de confiança até que a conjectura de Beal seja é resolvida.[21] Ela é supervisionada pelo comitê do prêmio Beal (BPC), que é nomeado pelo presidente da AMS.[22]

Variantes

Os contraexemplos e mostram que a conjectura seria falsa se fosse permitido que um dos expoentes fosse 2. A conjectura de Fermat–Catalan é um problema em aberto que lida com tais casos.

Uma variação da conjectura, que afirma que x, y, z (em vez de A, B, C) deve ter um fator primo em comum, não é verdade. Um contra-exemplo é em que 4, 3, e 7 não têm nenhum fator primo em comum. (Na verdade, o maior fator primo comum dos expoentes que é válido é 2; um fator comum maior do que 2 seria um contra-exemplo para o último teorema de Fermat.)

A conjectura não é válida no domínio maior dos inteiros de Gauss. Depois de um prêmio de US $50 ser oferecido em troca de um contraexemplo, Fred W. Helenius forneceu [23]

Ver também

Referências

Predefinição:Reflist

Ligações externas