Desigualdade triangular forte

Fonte: testwiki
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Desigualdade triangular forte, também chamada de desigualdade ultramétrica, em matemática, é um caso especial da desigualdade triangular.[1]

Um espaço métrico que tem esta propriedade é chamado de um espaço ultramétrico.[1]

A desigualdade triangular, que tem este nome por analogia à desigualdade entre os lados de um triângulo, em que um lado é sempre menor que a soma dos outros dois, é uma propriedade que caracteriza os espaços métricos, e é a expressão matemática da ideia de que ir de A para B, e em seguida de B para C, é pelo menos tão custoso quanto ir diretamente de A para C. Na desigualdade triangular forte, porém, o custo de ir de A para C não pode exceder ambos custos, ou seja, a distância entre A e C é menor ou igual à maior das distâncias entre A e B, e entre B e C.

Enquanto que a desigualdade triangular se escreve como:

d(a, c) ≤ d(a, b) + d(b, c)

a desigualdade triangular forte coloca um limite superior ainda mais estrito, ou, mais especificamente:[1]

d(a, c) ≤ max(d(a, b), d(b, c))

Em particular, um corolário da desigualdade triangular forte é que, no triângulo A, B, C, de lados AB, AC e BC dados pelas distâncias d(A, B), d(A, C) e d(B, C), pelo menos dois dos lados (os dois lados maiores) são sempre iguais.[1]

A desigualdade triangular forte tem sua importância por estar associada aos números p-ádicos.[1] Mais especificamente, a métrica p-ádica definida em e cuja completação gera os números p-ádicos, satisfaz à desigualdade triangular forte.[2]

Exemplos

  • A métrica discreta, ou seja, aquela em que d(a, b) = 1 para a ≠ b [Nota 1]
  • Seja X o conjunto de descendentes em linhagem matrilineal, em determinado grau, de uma dada pessoa (digamos, as trisnetas de uma pessoa). Seja d(x, y) a quantidade de gerações que devemos subir a partir de x e y para encontrar um ancestral comum. Este é um espaço ultramétrico.[3]

Definição

Um espaço métrico (X, d) é um espaço ultramétrico quando a função distância d satisfaz o axioma da desigualdade triangular forte:[1]

d(a, c) ≤ max(d(a, b), d(b, c))

Aplicação

Um resultado importante onde aparece a desigualdade triangular forte é na caracterização dos "corpos valorados".[Nota 2][4]

Um "corpo valorado" é um corpo K ao qual está associada uma função valor |.|, que associa a cada elemento x do corpo um número real não negativo, e que satisfaz as propriedades:[4][Nota 3]

|0| = 0
|x| > 0 para todo x ≠ 0
|x y| = |x| |y|
|x + y| ≤ |x| + |y| (desigualdade triangular)

A desigualdade triangular forte, neste caso, se escreve como:[2]

O teorema que caracteriza todos estes corpos é que eles devem satisfazer necessariamente uma das duas propriedades seguintes:[4]

(1) K é isomórfico a um sub-corpo de
(2) K é não arquimediano, e a função valor satisfaz a desigualdade triangular forte

Os números p-ádicos são um caso de corpo K em que a função valor satisfaz a desigualdade triangular forte.[2][4][1]

Predefinição:Notas e referências

  1. 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 Fionn Murtagh, Thinking Ultrametrically [pdf]
  2. 2,0 2,1 2,2 Silvio Levy, 23. Absolute value on fields Predefinição:Wayback [em linha]
  3. https://www.math.ucdavis.edu/~hunter/book/ch1.pdf
  4. 4,0 4,1 4,2 4,3 Wim H. Schikhof, Banach Spaces over Nonarchimedian Valued Fields [pdf]


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